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As memórias e os valores culturais populares locais foram alvo de troca de conhecimentos e experiências este sábado, no Auditório Charlot, nas 1.as Jornadas Etnográficas da Região de Setúbal |Fonte e Fotos:CMS A iniciativa, organizada em parceria pela Câmara Municipal de Setúbal e o Rancho Folclórico das Praias do Sado, reuniu durante todo o dia um vasto leque de oradores que focaram as tradições e cultura etnográficas da região, como a importância do sal na História de Setúbal, os trajes tradicionais e a relevância da pesca e dos instrumentos musicais. A presidente da Câmara Municipal, Maria das Dores Meira, sublinhou na sessão de abertura que a iniciativa, através de “um programa aliciante”, constituiu “uma grande acção para debater as questões relacionadas com a memória do povo”, acrescentando que “é muito importante preservar a memória folclórica”. Opinião partilhada pelo representante da Região de Turismo da Costa Azul, Jorge Humberto, que salientou o grande peso que os valores etnográficos representam para o turismo, “que, como em qualquer actividade económica, procura distinguir-se por aquilo que é original, sendo que sem folclore, sem etnografia e sem raízes culturais não há turismo nem no presente, nem no futuro”. Já o presidente da Federação de Folclore Português, Fernando Ferreira, realçou que o “folclore é a identidade do povo” e acrescentou que estas jornadas foram um contributo para diminuir “a necessidade que existe de se fazer uma reflexão sobre o património português”. A sessão de abertura contou ainda com a participação do bispo de Setúbal, Canavarro dos Reis, a presidente da Assembleia Municipal, Odete Santos, o representante da governadora civil Pedro Ruas, o presidente da Junta de Freguesia do Sado, António Augusto, o sócio honorário do Grupo Folclórico de Santa Marta de Portuzelo, Vieira Neto, e o delegado regional de Setúbal do Inatel, Manuel Silva. Ludgero Mendes, presidente dos Académicos de Santarém, que apresentou no primeiro painel de oradores a intervenção “A preservação de usos e costumes”, salientou que os hábitos e tradições populares “são normalmente simples, porque o povo não complicava. Para complicada já bastava a vida”. O responsável advertiu que para o estudo das tradições locais ser feito correctamente “é fundamental pesquisar, investigar e recolher bem, pois de nada vale preservar o que está errado”. O músico e técnico de animação municipal Albano Almeida, na intervenção intitulada “Instrumentos tradicionais”, recordou que os instrumentos mais elaborados estavam associados à igreja e que os mais simples tinham origem nas práticas pagãs. Sublinhou também a grande qualidade dos artesãos portugueses, que, sem poder de compra para adquirir instrumentos fabricados no estrangeiro, como o acordeão, construíram eles próprios adaptações dos originais, o que, neste caso, deu origem à concertina. Ainda durante o período da manhã, em que foi exibido um documentário dos anos 30 sobre a produção do sal em Setúbal, Carlos Tavares da Silva, do Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal, fez uma exposição sobre a relação muito próxima desta actividade com a História de uma cidade que chegou a ser o maior produtor de sal de todo o império romano do Ocidente. As 1.as Jornadas Etnográficas da Região de Setúbal focaram durante os painéis reservados para a tarde temas como as “Actividades religiosas”, “Gastronomia” e “Trajes e recolha etnográfica”, terminando o encontro com um debate. 
À noite, no Fórum Municipal Luísa Todi, realizou-se a I Gala Folclórica de Setúbal, espectáculo em que participaram o Grupo de Danças e Cantares do Minho, o Grupo Etnográfico da Serra do Caldeirão e o Rancho Folclórico das Praias do Sado.
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